sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Estado de arte

Hoje eu acordei assim, como você me vê.
É evidente que dói se sentir vazia
mas quando eu estou triste, eu estou mais complexa.
Eu volto a um estado particular de mim mesma
e não consigo fugir do que eu sou.

Sabe, ontem eu tive sonhos pertubadores
e o despertador fez com que minha manhã se tornasse sombria.
O despertador é a invenção dos demônios.
Inibe a vida de ser o que ela é.

Mas eu me perdi.
O que eu gostaria de te dizer
é que eu estava sentindo falta de viver nesse estado de contradição.
O belo não é belo quando é óbvio.
A vida não é intensa quando sempre faz sentido.
Esse é o estado de arte que eu me encontro.

All Star Sujo

Saiu de casa e pegou seu all star. A vida possuia novas ares que talvez não durariam por muito tempo. Ainda sentia a sensação de fumar aquele cigarro com ele ao lado, julgando-a. Pensava o quanto ele estava distante do que ela era hoje e do que gostaria de ser. Até quando duraria aquele instante?
A bebida caiu forte como nas outras vezes. Ela estava mais amarga. A ressaca moral foi um pequeno pesadelo, mas não da forma como ela temia. Ela precisava ter dito aquelas coisas um dia...
Seu all star agora está sujo, com lama. Mas ela está muito feliz por isso. Agora poderia ouvir sua ex-banda predileta e sentir o que jamais poderia ter sentido a alguns anos atrás. As coisas eram mais difíceis naquele tempo...
Mas agora tinha se libertado. Queria chegar até o fim. Mas, sentia que precisava de alguém para lhe acompanhar.

Tempo Perdido

Eu contei as primaveras que se passaram.
O tempo parece ter escapado de mim.
Eu não quero que ele corra.
Como um coelho atrasado que precisa encontrar a Rainha de Copas.
Eu não quero.
Mas quando eu o alcanço
ele já não me preenche mais.
Nada hoje mais me preenche...
O que fazer quando você necessita de algo que não existe?
Eu não sei dizer...
Talvez eu esteja perdida.
Mas é que há momentos em que uma pessoa não quer se encontrar.
O tempo pode ter se esquecido de mim.
Isso acontece...
Mas me diga, onde ele está?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O lugar

Não que eu precisasse viver num cubo de cristal. Mas embora eu me esforce, esse discurso fatalista me dá enjôos. Agora minhas lágrimas estão secas e eu sinto gosto de sal. Eu gosto quando me sinto forte e intensa, embora sentir dor seja uma experiência difícil. Queria que seu sorriso se materializasse nas primeiras horas da manhã. Mas tudo bem, estou feliz. Finalmente cheguei a um lugar que há muito eu queria estar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nostalgia

Tudo anda rápido demais. Os fatos escapam de mim - assim como as coisas -, percorrem minhas mãos e escorrem por entre meus dedos. O céu se afasta a cada dia vários metros e muda de tom, assim como as flores, que também mudam de cheiro. Antes tinham cheiro de plenitude condensada. Hoje, cheiram a vazio incompreensível. As pessoas se escondem (dentro dos bueiros, imagino).
Estou incompleta. Mas sou simples. Mesmo assim, faço questão de não me entender. Eu sou aérea. Me perco em mim e me crio o tempo inteiro. Crio e canso. E depois de me cansar, não há o que fazer, necessito me criar para viver.
Sou simples. Mas gostaria de ser composto. Gostaria de ser plural. Substrato e abstrato. Gostaria de ser contradição. Às vezes, até mesmo, ilusão. E assim como os fatos, as coisas e as pessoas eu gostaria de fugir. Fugir de mim. Mais uma vez. Cansei. Novamente, cansei...

domingo, 18 de abril de 2010

A Insustentável Possibilidade do Ser

Ela abriu os olhos num dado momento e se viu atormentada por dúvidas. "O que sobrava além da minha essência?" indagava. Queria fazer o que jamais pensou que fosse possível: queria experimentar ser outra pessoa.

Mas ser outra pessoa era tão complicado... Depois que descobriu que seu eu possuía mil trezentos e sessenta e cinco personalidades diferentes, caiu num mar de indagações. Foi parar em outro dilema: Não poderia sair de si mesma porque a complexidade que ela queria só podia achar em si.

A solução foi a não-solução. Continuou vivendo em si mesma, com a diferença de uma consciência mais densa, porém não menos exigente.

Percorreu caminhos nas suas possibilidades existenciais. E falhou. Como todo ser humano, e como a pessoa que era até então, se simplificou de tal maneira que voltou a acreditar que possuía apenas uma personalidade.
Voltou a indagar sobre as possibilidades.

"O que poderia existir além da complexidade do meu existir?"

Pensou.

domingo, 28 de março de 2010

Volver

Pinto um quadro todos os dias.
Meu cotidiano é cinza e quadriculado - uma Nova York antiga.
Sinto prédios em alta velocidade, deixando traços sem cor.
Sinto cheiro de asfalto molhado com licor.

Quero ter um lapso de loucura.
Quero parar no tempo.
(Que tempo?
Eu não tenho tempo...)
Quero descobrir o quanto estou entediada.
(A vida anda repetitiva...)

Quero me perder num mundo de sinuosidades.
-Não, não. Nada de pós-modernidade!-
Me perder num mundo livre!
Como nos sonhos de Alice...
Esqueci como é a liberdade.
(Estou muito objetiva)
Quero voltar.

Voltar para a minha casa colorida.
-O meu amado ninho de cobras.-
Minhas ilusões mais verdadeiras.
Minhas poesias mais traiçoeiras.
Voltar para o meu recanto de paz eterna.
Para o meu nicho de perversidades.
Para o meu refúgio mais lúdico.

Quero voltar para o mundo.